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Tapebas

Resultado da miscigenação tão comum no Brasil, os índios Tapeba, de Caucaia, descendem de três grupos indígenas: os Cariri, os Tremembé e os Potiguara, com traços também dos colonizadores de fora – portugueses, holandeses, franceses – e dos negros.

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Essas fotos são parte da exposição “Criança Tapeba”, de 1986, que fiz sob encomenda da Pastoral Indigenista da Arquidiocese de Fortaleza, em parceria com a Hoje Assessoria em Educação, por indicação do escritor Gilmar Chaves. A exposição era parte de um projeto de valorização e resgate dos remanescentes indígenas do Ceará que viviam na negação da sua cultura desde que foram declarados extintos por decreto oficial do governo do estado em 1863.

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Os patrocinadores me pediram fotos só das crianças, mas não me disseram como deveria fotografá-las. Simplesmente me jogaram lá, na comunidade, onde me deparei com cenas deploráveis: os casebres precários, lixo acumulado nas ruelas, as crianças com as barrigas e os joelhos inchados, os corpos marcados por cicatrizes, pano branco, catarro escorrendo, moscas e mosquitos voando em torno…

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Depois de alguns momentos de indecisão, entendi que o meu trabalho ali não deveria ser de fotojornalismo.
Decidi, então, isolar as crianças do seu problemático contexto, optando pelos retratos em “close-up”, até porque, na forma do rosto e dos olhos, era mais visível e evidente a sua herança genética indígena. Restava o problema de onde posicioná-las para as fotos, onde encontrar um fundo neutro adequado. Não vendo nada em torno, resolvi, então, sentar as crianças na frente das janelas ou das portas abertas das suas casas, enquadrando somente as suas cabeças. Como as casas eram muito escuras por dentro, o filme não captaria detalhes internos, asim como a objetiva zoom, na posição tele e com o diafragma bem aberto, não daria foco no plano de fundo. A claridade no rosto das crianças era a luz natural do céu e a luz do sol refletida da rua que gerava também o brilho em seus olhos. Assim, eu queria passar, da forma mais pura, a emoção da beleza daqueles rostos.

A exposição gerou um grande impacto, tornando esse o meu trabalho mais divulgado e mais reproduzido em publicações diversas, no Brasil e no exterior, tendo também cumprido seus objetivos junto ao povo Tapeba e ajudado no seu reconhecimento pelo governo e pela sociedade em geral.

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4 comentários

  1. maravilhoso esse trabalho…hum


    • É um grande prazer poder partilhar esse trabalho, sobretudo com quem, como você, tem sensibilidade para poder aprecia-lo. Grato pelo seu elogio! Abraço do José Albano


  2. Parabéns pelo seu lindo trabalho!


    • Se você se refere ao trabalho dos Índios Tapeba, seria difícil fazer um trabalho “feio” pois essas crianças são lindas mesmo. Grato pelo comentário!



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