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U.S.A.

É fato conhecido a minha descoberta da fotografia numa rápida primeira visita aos Estados Unidos em 1966. Mas, em agosto de 1970, voltei, com bolsa de estudos da Comissão Fulbright do governo americano, para obter um mestrado em fotografia. Numa pesquisa prévia, eu tinha proposto uma lista de três escolas, em ordem de preferência, e a segunda delas me aceitou: a Newhouse School of Public Communications, filiada à Syracuse University.

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Syracuse, a cidade onde eu fiquei, no estado de Nova York, está localizada no chamado “snow belt” (cinturão da neve) e, de fato, logo no primeiro ano, dos dois que passei lá, vi neve de outubro a maio, 8 dos 12 meses do ano! Naturalmente, esse fato tão diverso para um brasileiro, sobretudo um nordestino, me rendeu muitas fotos. Além das cenas do dia-a-dia na universidade e as viagens com os amigos, gastei muitos filmes também nas tarefas da escola, principalmente fotos de produtos, retratos e moda no grande e ricamente equipado estúdio sempre à disposição dos alunos. E a cidade de Nova York, distante seis horas de ônibus, onde estive algumas vezes, sobretudo durante as pesquisas da minha tese, foi tema de alguns ensaios fotográficos também.

Autodidata no Brasil, na escola em Syracuse tive a chance de aprimorar muitíssimo os meus conhecimentos, sobretudo na prática do estúdio e dos laboratórios – preto e branco e colorido – assim como no fotoacabamento.
O currículo acadêmico era dividido em duas grandes áreas: o fotojornalismo – incluindo artes gráficas, edição e diagramação – e a fotografia aplicada à publicidade.

J. Albano08

Esses estudos culminaram na minha tese “The decision-making process in the creation and production of tem selected advertisements from 1970”, elaborada junto a fotógrafos e agências de publicidade em Nova York, assim como na carreira que abracei ao voltar para o Brasil. E o fotojorna-lismo pratiquei intensamente no ano de viagem pela Europa, assim como na elaboração de 42 reportagens que editei e diagramei para o jornal “O Povo” em Fortaleza, entre 1974 e 1992, nas séries “De carona na Europa com
J. Albano”, “Olho na Itália” e “Barcelona”.

Processos político-sociais, iniciados nos turbulentos anos 60, já estavam bem consolidados no começo da década de 70, quando por lá cheguei. Desembarquei numa América que já tinha vivenciado fenômenos como a música de Bob Dylan e Jimmy Hendrix, as vozes antagônicas de Joan Baez e Janis Joplin, os protestos políticos contra a guerra do Vietnam, os hippies com o seu grito de paz e amor, o mega festival de Woodstock, as drogas alucinógenas, os adolescentes cabeludos que foram causa e consequência do enorme sucesso do musical “Hair”, a liberação sexual trazida pelas pílulas anticoncepcionais…

J. Albano09

E eu caí de bico naquele turbilhão, eu que era um jovem todo certinho, cabelo cortado, barba feita, camisa passada a ferro, fiquei muito impressionado, até porque estava vindo de um Brasil dominado pela ditadura militar onde a liberdade de expressão era muito limitada…

Mas, acima de tudo, fui influenciado pelos amigos representantes da contracultura que se instalava no país do “fast food” e da Coca Cola, onde vi jovens rejeitando o consumismo, plantando hortas, fazendo o próprio pão, cozinhando arroz integral, adotando dietas vegetarianas,
chá de ervas, expandindo a consciência com a ajuda de alucinógenos… Vi mães amamentando seus filhos, vi filhos de profissionais bem sucedidos almejando morar em comunas, elegendo a felicidade como meta de vida em vez do sucesso material. Vi o crescente interesse na preservação do meio ambiente, vi surgir a nova espiritualidade atuando em defesa da vida aqui e agora.

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